domingo, 20 de fevereiro de 2011

O começo...

Olá, querido, hoje eu vou contar p vc o que significa o título do meu Blog: Histórias Kitschs. Vamos lá, copiando do Wikipédia, com referências e tudo!

Kitsch é um termo de origem alemã(verkitschen) que é usado para categorizar objetos de valor estético distorcidos e/ou exagerados, que são considerados inferiores à sua cópia existente. São freqüentemente associados à predileção do gosto mediano e pela pretensão de, fazendo uso de estereótipos e chavões que não são autênticos, tomar para si valores de uma tradição cultural privilegiada.
Umberto Eco : Luwig Giez, em phaenomenologie des kitsches, Rothe Veriag, Heidelberg, 1960, sugere algumas etmologias do termo. Segundo ele remontaria à segunda metade do sec. XIX, quando os turistas americanos em Mônaco, querendo adquirir um quadro, mas a baixo preço. Pediam o "esboço" (sketch). Daí teria vindo o termo alemão para indicar a vulgar pacotilha artística para compradores desejosos de fáceis experiências estéticas. Todavia em dialeto meklem-burguês existia já o verbo kitschen por "recolher o barro da estrada". Uma outra concepção seria "mascarar moveis para parecer antigos", enquanto se tem o verbo verkitschen por "vender a baixo preço"(Apocalitticl, cit., p.68)Características do Kitsch
  • Princípio de Inadequação: Ao deslocamento, junta-se a inadequação da forma, do estilo, do contexto, da função, de uso. Desvio em relação à finalidade, tamanho (abridores de garrafa gigantes), falsificação de materiais (flores de plástico), estilos contextos (anjos barrocos de gesso, para estantes) figurações em objetos utilitários (pêra de cristal, como baleiro). Funções secundárias que acabam suplantando a função principal, funções múltiplas em um único objeto. A inexistência de uma relação do tema com a estrutura geral da obra.
  • Principio de Acumulação (ou Empilhamento): Objetos diversos sem um sentido, que possuem valor emocional e de baixo custo, que vão sendo acumulados sem uma unidade de adequação.(enfeites de geladeiras, cerâmicas, bibelôs). Além de tornar ambientes kitsch, também pode tornar pessoas em kitsch, quando ocorre o demasiado uso de enfeites ou adornos corporais. (brincos, colares, pulseiras, echarpes, etc).
  • Percepção Sinestésica: O maior uso dos sentidos para impressionar o espectador, imagem, som, aromas (cartões de namorados perfumados). Repetição exaustiva de mesmos signos com significados semelhantes.
  • Principio de Mediocridade: com tantos artifícios, inadequação, acumulação, percepção sinestésica, o kitsch chega próximo do vulgar, mas essa mediocridade facilita a absorção do consumidor. Nem feiúra nem beleza extremas: esses são valores absolutos, que fogem do intuito do kistch.
  • Principio de Conforto: o que não cria problemas agrada; enche a vida da sociedade de consumo de sensações, emoções e pequenos prazeres (objetos cotidianos).
O kitsch está em todas classes sociais; é um elemento de nivelação social e histórico consumido indiscriminadamente por todos. Independente das diferentes possibilidades de status que o objeto kitsch possa suscitar, agrupa-se o amburestem em categorias: religioso (terços saturados de imagens), sexual (canetas com mulheres nuas), exótico (paisagens havaianas, indianas de fundo), doce (anões de jardim)amargo (cobras, esqueletos de plástico fluorescentes), político (insígnia de partidos políticos em chaveiros) e também as combinações entre estas.
O kitsch se propõe a valores sublimes. A literatura de mau gosto feita com intenções comerciais e que usam o "efeitismo" - o efeito, a crunk sentidos pelo leitor são esperados e iguais. Músicas, novelas e até a arquitetura: um edifício ou uma casa no estilo neoclássico, típico do século XIX, com falsa colunas gregas de concreto e falsos frontões é Kitsch porque deslocado no tempo, feito de materiais contemporâneos e inadequado ao uso. Uma construção neoclássica não responde às necessidades de vida do século XXI, precisando, para isso, ser adaptada, deformada, tornando-se, assim, simplesmente um cenário.
Essas características conjugadas do Kitsch agem sobre nosso sentido nos causando um "curto-circuito" da crunk.

Bibliografia

     http://pt.wikipedia.org/wiki/Kitsch

Aranha,Maria Lúcia de Arruda e Marins, Maria Helena Pires. Temas de Filosofia. Ed. Moderna.
Eco, Umberto. "Apocalíptico e Integrados". Ed. Perspectiva
Moles, Abraham. O Kitsch. Ed. Perspectiva
Kundera, Milan. A insustentável leveza do ser. São Paulo: Ed. Companhia Das Letras, 1999.
Sontag, Susan. Notes on ‘Camp,’

Outra historinha

Eu amo esse Fantasma do fogão! Conto premiado com Menção Honrosa na "Escola de Governo - Servir com Arte, 2009.

O FANTASMA (do fogão)


Não era lá uma cidade muito grande. Pelo contrário, era pequena demais. Todos se conheciam e havia um vínculo, um pacto entre os moradores, que fazia daquela pequena cidade, única. Ficava distante de tudo, no meio do nada. Correio, só lá de vez em quando. Um médico beirando os 70, um delegado meio cego que passava a maior parte do tempo jogando damas na praça da igrejinha, uma pequenina escola onde a velha professora dava aulas para uma única classe com todas as séries juntas, que nunca passava de dez alunos, um padre já beirando seus 80 anos.
Era dia de quermesse. Cidadezinha radiante. E toda a gente lá estava, com sua melhor roupa, banho tomado, gumex no cabelo e sorriso no olhar. As moças andavam daqui para ali e os rapazes, parados, cochichavam qual seria, dentre tão poucas, a escolhida para o baile. As carolas anunciavam o correio elegante e a criançada se divertia com as barraquinhas de jogos. Zezo, o pipoqueiro, enchia o ar com o aroma pipocante. Sentado sob o carrinho de pipoca estava ele, o fantasma. Observava “seu” Zezo enchendo os pacotinhos com o milho alvo e quentinho e ficava ali por algum tempo. Depois se dirigia para a barraquinha dos coelhos, sua favorita. Ficava lá, às vezes, encostado nas casinhas, mas preferia não atrapalhar o andamento do jogo, pois normalmente os coelhinhos não entravam naquela onde ele estava. Então ficava sentado no gradil da barraca. Durante o baile, permanecia ao lado do sanfoneiro e adorava ver os pares rodando pelo salão. Todos o viam, porém ninguém fazia comentário algum. Nunca ninguém ousou falar sobre o fantasma. O delegado fazia-se de mais cego ainda e o médico procurava nem dirigir o olhar à figura fantasmagórica. As crianças já nasciam acostumadas com a presença dele e sabiam guardar para si o insólito, que era assim que era. E que sempre foi. Nos dias de missa ele era o primeiro a chegar à igreja e se posicionava compenetrado junto ao altar. Padre Tobias já tinha por costume não ocupar aquele espaço. Quando as mulheres cantavam a ladainha, o fantasma cantava junto. É claro que não se ouvia a voz dele, que fantasma não tem voz, mas ele fazia pose e mexia a boca. Bonito de se ver. Morava na cozinha da casa de padre Tobias, perto do fogão a lenha. Ali, à noite, no cantinho, se aconchegava e ficava até que todos acordassem no dia seguinte.
Durante a semana, a vida caminhava devagar. Os homens seguiam para o campo, as mulheres aos afazeres de casa, a criançada na escola, o delegado e o pipoqueiro a jogar damas. E o fantasma espiando o jogo. Tudo estava em sintonia e os dias ali iam seguindo pequenos e frouxos.
Padre Tobias observava o baile quando se sentiu mal. Colou a mão no peito e tombou a cabeça para o lado. Num segundo chamaram o Dr. Nogueira:
— Está morto!
 Fim de baile e de festa. Tristeza e comoção. Preparativos para o velório, flores, luto. Tudo conforme sempre foi. O dia amanheceu lindo e todos ainda permaneciam ao lado daquele que, durante muito tempo, foi padre e amigo da cidadezinha. O fantasma, o tempo todo junto ao caixão, ora pairava no ar ora aos pés do morto. Também ele perdera o amigo. À tardinha, hora do enterro, o cortejo dirigiu-se para o cemitério. As mulheres iam à frente cantando. Alguns homens revezavam-se no transporte do caixão e o fantasma, sentado no tampo, acompanhava tudo com seriedade.
Os dias se passaram e a preocupação agora era a vinda do novo padre. Como seria ele? Jovem? Velho? Calado como o padre Tobias? Admitiria o imponderável? Até que numa tarde chuvosa de sábado chegou padre Jeremias. Nem jovem nem velho. Simpático e com bons modos. Foi conduzido até a antiga casa de padre Tobias e recebido por Teresa que acompanhara por muito tempo o falecido.
— Seja bem vindo, padre. Venha comigo que vou mostrar seu quartinho. Não é lá essas coisas, mas padre Tobias gostava muito dele. Daqui um pouco sai a janta.
— Obrigado. Está tudo muito bem, muito bem! – parecia satisfeito o padre.
— Padre, o banheiro é lá fora, é limpinho e dá pra tomar banho.
 Teresa acompanhou o novo morador até seu quarto, explicou tudo direitinho das coisas da casa e se colocou à disposição dele, como serviçal que era.
            Jeremias acomodou seus poucos pertences no único armário do quarto, colocou alguns livros no cantinho do criado-mudo, afofou o travesseiro, experimentou o colchão, pegou uma toalha e dirigiu-se ao banheiro. Da cozinha vinha um aroma gostoso da comida feita por Teresa.
Após o banho, o padre aproximou-se da modesta mesa e a mulher lhe serviu um prato de sopa com pão. Depois de perguntar se Jeremias queria mais alguma coisa, retirou-se da cozinha andando tão silenciosa e minguadinha, como sempre foi.
Enquanto comia, o padre corria os olhos sem muita atenção pelo lugar. O armário dos alimentos, a janela com um vidro quebrado, a pequena cortina de chita, o fogão a lenha e aquele cantinho vazio, intrigante e cheio de significado. Sem dar muita conta, continuou comendo. Terminado o jantar, foi ao banheiro e em seguida retirou-se para o quarto, pois àquela hora já não tinha mais o que se fazer. Acomodou-se na cama, pegou um dos livros e com dificuldade pela pouca luz, pôs-se a ler. Da cozinha, um ruído quase inaudível de arrumação. E só.
No dia seguinte, os moradores já estavam bem cedo na igreja, mais por curiosidade do que pelo hábito. Quando o padre chegou, todos se levantaram num gesto de boas vindas. O fantasma lá estava também, mas se resguardou e ficou num canto isolado do altar. Depois da missa, das apresentações, todos saíram até a pracinha e Jeremias começou ali o convívio com aquele povo simples e tão limitado. Tudo transcorreu normalmente. A criançada, o delegado, as mulheres, todos queriam trocar uma prosa com o novo padre.
A noite do domingo chegou logo e Jeremias se recolheu em seu quartinho depois do jantar. Lá por umas três horas da madrugada acordou ainda vestido com a batina. O livro caído no chão.
— Peguei no sono!
Colocou o pijama e resolveu ir ao banheiro. Quando passou pela cozinha, acendeu a luz que mais parecia um tomate pendurado no teto de tão fraquinha. Deu uns dois passos e viu, naquele canto do fogão, a figura ectoplasmática, meio translúcida do fantasma que dormia o sono dos justos.
— Ahhh! O que é isso, minha Nossa Senhora? — gritou, segurando-se na parede.
O grito acordou Teresa e também o fantasma que pulou de seu cantinho, pairou no ar por um instante e foi se esconder dentro do forno do fogão.
— O que foi padre, o que é que o senhor tem? — veio a empregada solícita acudir aos apelos de Jeremias.
— Eu vi, eu vi uma coisa naquele canto! Não estou sonhando, eu vi! Ele... ele está lá...lá dentro! – Teresa pegou-o pelo braço impedindo-o de ir até ao fogão.
— Padre, o senhor vá dormir, teve um pesadelo... Vamos, eu ajudo.
— Mas... mas eu vi!
Estava transtornado o padre, mas obedeceu. Deitou-se e ficou pensando, pensando... Levantou-se, foi novamente à cozinha, acendeu o tomatinho, sondou da soleira da porta, viu que não tinha nada e voltou para a cama.
— É, foi um pesadelo.
E dormiu. Dormiu um sono inquieto e cheio de sonhos. Conseguiu superar aquela noite. No dia seguinte quis comentar com Teresa o ocorrido, mas ela parecia calada e distante.
— Teresa, o que era aquilo que eu vi?
— Sei não senhor que é que o senhor viu ­— a mulher continuava sem parar o que estava fazendo.
— Era um... um... fantasma! Sei lá...
— Sei não, que eu não estava aqui.
— É, deve ter sido pesadelo. — Queria acreditar nisso.
E a prosa morreu aí. Como ele, um padre, que estudara durante tantos anos Teologia, Filosofia, Sociologia, Psicologia, poderia ter “enxergado” um ser tão inconcebível? Só poderia ser um fenômeno extra-sensorial, produzido pela sua imaginação, talvez pelo cansaço ou mesmo pela ansiedade do novo desafio.
 Assim, resolveu pôr o incidente de lado e tentar levar o dia normalmente. E foi o que fez. Começou uma faxina na papelada da igreja, separando certidões de batismo das de casamento e outros documentos. Uma confusão! Essas coisas que normalmente acontecem quando um novo funcionário assume o cargo de outra pessoa. À tardinha, dirigiu-se ao confessionário para ouvir os paroquianos em confissão. Missa das seis, tudo normal. À noite, tomou seu banho, jantou a sopa com pão e recolheu-se. Livro...cama...
Pela madrugada, acordou com muita sede. Sonolento e cambaleante, encaminhou-se para a cozinha. Acendeu a luz e lá estava ele novamente: o fantasma.
— Teresa, Teresa! Vem ver! É ele!
Os gritos foram tão altos que até o fantasma acordou assustado e abriu um bocão como se gritasse também e, dessa vez, precipitou-se pelo vidro quebrado da janela e se escondeu no galho da castanheira do quintal.
            Padre Jeremias, de pijama e tudo, saiu para o quintal gritando, braços para o alto. Teresa, meio sonolenta, acompanhou-o sem dizer palavra. Os vizinhos acudiram ao acontecido. O padre gesticulava, falava alto e tentava explicar. A vizinha do lado correu providenciar um chazinho, a outra, água com açúcar. E ele, inconformado com a sua situação, caiu em si do ridículo que poderia estar causando. Acalmou-se, olhou em volta e procurou justificar a situação:
— Meus irmãos, me desculpem pelo transtorno. Eu não estou muito bem. Creio que é o cansaço. Voltem para casa! Me desculpem, não vai acontecer novamente.
            — O padre está bem, mesmo? — perguntou a vizinha do lado com a xícara de chá na mão — Se quiser posso correr chamar o doutor!
            — NÃO! Não! Não precisa, não! — respondeu quase gritando.
Nesse momento, sentiu uma imensa vergonha. O que o médico iria imaginar?
— Podem dormir sossegados. Já estou melhor.
            Os vizinhos foram voltando para suas casas, alguns murmurando comentários. Padre Jeremias e Teresa entraram. O padre, encharcado de suor, mãos trêmulas e branco, muito branco, sentou-se à mesa de olhos fixos naquele pequeno espaço da cozinha. E ali ficou. Teresa perguntou se ele precisava de mais alguma coisa e aconselhou-o a ir para a cama. Serviu-lhe uma xícara de café  morno que estava no bule em cima do fogão que continuava ainda quente, com algumas brasas acordadas.
            — Obrigado, Teresa, não preciso de nada. Já passou. Vá deitar-se.
Xícara de café em sua frente, olho no cantinho... Amanheceu.
            Jeremias tomou um banho, trocou-se e foi para a igreja rezar missa das seis. Estava com uma aparência lastimável, transparecendo a falta de sono. Entrou taciturno na igreja, onde os fiéis já estavam à sua espera. Foi até a sacristia, vestiu os paramentos e dirigiu-se ao altar. Todos só tinham olhos nele. Caminhando lentamente, parou de súbito e emitiu um grito surdo:  
            — É ele de novo! É o fantasma!
            E lá estava ele, onde sempre ficava enquanto padre Tobias dizia a missa. O lugar era dele e desta vez não iria se esconder. Permaneceu no mesmo lugar, assim como todos os que estavam na igreja.
            Padre Jeremias, derrubando o que tinha em sua frente, saiu correndo pelo corredor até a praça. Todos o acompanharam prestativos. O fantasma foi junto e se acomodou no banco de madeira. Sabia da sua tácita participação, que era o motivo do impasse, mas estava decidido a enfrentar o descomedimento, custasse o que custasse e, lógico, tudo ficaria bem, como sempre foi.
            — Mas o que é que está acontecendo? Vocês não estão vendo? Olha... olha ele ali! Deus Pai Todo Poderoso! O que é isso? Ele me persegue!
            Os fiéis trocavam murmúrios, porém sem mostrar indignação e muito menos mencionavam o sucedido. Apenas murmúrios. O fantasma assentia com a cabeça, compenetrado e participativo. Todos acreditavam, ou queriam acreditar, que o padre iria condescender e aceitar as particularidades excêntricas do lugar.
            Jeremias observava a cena sinistra e, perdendo a compostura, se põe a agredir verbalmente seus fiéis.
            — Loucos, loucos é o que vocês são! Eu não sou louco! Vocês sim e querem me deixar louco também!
            Ele não conseguia compreender nada da cena que se desenrolava ali, em sua presença, na presença de todos. Será que era ele só o descompensado? Seria um sonho? Correu para casa, trancou a porta com a tramela, foi para o quarto, ajoelhou-se e rezou. Rezou como nunca tinha feito em sua vida. Olhou pela pequena janela e viu as pessoas ainda na praça, conversando normalmente, as crianças brincando. Não se continha mais! Era um terror! Um pesadelo. Nisso, ouviu uma batida na porta. Era o delegado, o médico e a velha professora.
— Entrem, entrem!
— Senhor Padre Jeremias, nós, representantes da cidade, temos que ter uma prosa muito séria com o senhor.
— O que é?! Vocês querem admitir que também estão enxergando assombração? Ou será que...
— Calma, padre. Escute... — Dr. Nogueira acomodou-se na cadeira e tentou tranqüilizar o padre que andava daqui para lá.
— Eu acho que o senhor está muito cansado... o senhor anda... bem, a verdade é que o senhor devia ir para a capital, tirar umas férias... Depois, até, o senhor pode voltar.
Na verdade, a presença de padre Jeremias estava sendo um transtorno na vida daquela gente. E era a essa conclusão que haviam chegado. Se não tinha se adaptado em dois dias com a gente daqui por que não ia embora?
— Mas eu não vou pra lugar nenhum! Vocês estão doidos! Eu vou dar um jeito nisso, ah, se vou! — gritando e gesticulando, mostrou a saída para os três que, cabisbaixos, saíram.
Quando se tem problemas, o negócio é esfriar a cabeça. E assim foi. O padre permaneceu em seu quarto o resto do dia. Não queria ver ninguém e não seria um fantasma safado que iria vencê-lo.
À noitinha, já refeito e com energia renovada, arrumou-se com paramentos próprios, bíblia, água benta, crucifixo e encaminhou-se até a praça, onde, pela última vez tinha visto aquele ser diáfano.
— Oh, criatura do outro mundo! Venha até aqui... — e, pronunciando palavras em latim, apelava para que o espectro aparecesse.
O fantasma, que nunca dispensava uma novidade, veio esvoaçante e acomodou-se confortavelmente no banco de madeira. Como não podia deixar de ser, a gritaria chamou a atenção e novamente um ajuntamento se formou ali na pracinha. O que é que padre Jeremias estava fazendo agora? Será que endoidou de vez? O delegado, chocalhando o barrigão, colocou-se o mais próximo possível do padre para poder enxergar melhor. Dr. Noronha, balançando a cabeça, conjeturava o desmando do religioso. Todos sussurravam e o padre rezava.
A noite já estava tomando parte de todo o fato e padre Jeremias rezava que rezava. Água benta, crucifixo etecetera e tal que só os clérigos entendem. E o fantasma lá, prestando muita atenção, assim como todos. De repente, padre Jeremias parou. Suando, água benta no fim, latim no fim, inconformado, cabeça baixa, falando como se estivesse tentando convencer a si mesmo:
— Não adianta, ele venceu. Ele não me quer aqui. Ninguém me quer aqui.
Nesse momento um silêncio estranho formou-se e o fantasma, saindo de onde estava, olhou para todos, planou sereno, contornou vagarosamente o padre, os amigos que ali estavam, levitou até o alto da igrejinha e dali ficou observando aqueles seres tão estranhos que sofrem, têm dores, brigam, fazem festas, riem, choram e o pior de tudo, morrem. E, num movimento transcendente, mágico, fez-se um espiral dourado, grande e belo que iluminou toda a cidadezinha. Girou que girou e todos ficaram ali, extasiados, presenciando o sucedido. Padre Jeremias dessa vez permaneceu calado. Sabia que algo além de todas as suas verdades estava acontecendo e, paralisado, admirou. Então, lá no alto, o espiral dourado, como numa surda explosão, se desfez em miríades reluzentes que foram lentamente disseminar brilho por toda a cidade. Depois, tudo acabou. As pessoas permaneceram ainda por alguns minutos ali na praça, entreolharam-se e, lentamente, dirigiram-se para suas casas. O sacerdote conservou-se no lugar. Parado. Sem ação e aniquilado, voltou trôpego para casa. Ao chegar lá, deteve-se na cozinha onde Teresa já estava há algum tempo. Voltou os olhos para a mesma direção onde ela estava a olhar e espreitou o cantinho do fogão. Sabia que não iria ver nada, como sempre deveria ter sido, mas sentiu um grande vazio. Foi para o quarto e lá ficou.
O outro dia começou mais cedo do que nunca para o padre. Missa, confissão, trabalho com os documentos da igreja. Ninguém, nem mesmo ele, falava do ocorrido. E assim foi durante os dias seguintes.
Um dia, Dr. Noronha comunicou que se mudaria para a capital. Emprego muito bom, melhor salário e assim foi também com a velha professora. Aposentadoria. Iria morar com uma irmã no sul. As crianças? Bem, logo virá uma professora nova, recém-formada, cheia de anseios e novidades para ensinar. O delegado encegou de vez e o pipoqueiro perdeu o companheiro de jogatina. As crianças tinham que ir muito cedo e voltavam já noitinha da escola distante, pois a nova professora nunca chegara. Para quem vender pipocas? “Seu” Zezo iria levar sua alegria noutro lugar.
Cada mês que passava era uma ou duas famílias que partiam da cidade. E assim foi. Até que um dia, padre Jeremias contou apenas cinco fiéis em sua missa de domingo.
Realmente, não tinha mais nada a fazer naquele lugar. Teresa tinha recebido convite para trabalhar com Dr. Noronha, mas não iria enquanto o padre estivesse ali.
Já fazia um ano da chegada do sacerdote, quando recebeu resposta de uma carta escrita ao Bispo que o transferiu para uma nova paróquia.
Chovia no dia em que o padre estava indo embora, assim como chovia quando chegou. Antes de sair da casa vazia — Teresa já havia partido — parou um momento diante do fogão a lenha e observou o cantinho onde durante muito tempo ele, o fantasma dormiu. Foi até lá e deixou no lugar uma flor que apanhou no jardim. Pegou a pequena mala, armou o guarda-chuva, fechou a porta, e dirigiu-se para a estrada até o ponto do ônibus. Não olhou uma só vez para trás.
Acredita-se ainda hoje que todos partiram de lá em busca de novas oportunidades e ninguém contou o que na verdade aconteceu. Nem antes nem depois de padre Jeremias. Nem mesmo ele. Só se sabe que a pequena cidade onde todos viviam em paz é hoje uma cidade totalmente vazia. Uma cidade fantasma

Sossego

Este conto ganhou "Menção Honrosa" no Concurso de Contos "Glacy Secco" da Prefeitura Municipal de Ponta Grossa, em 2009. Gosto muito dele. Conta a história de um amor absoluto, infinito.

Sossego
 (...)
Sossega, coração, contudo! Dorme!
O sossego não quer razão nem causa.
Quer só a noite plácida e enorme,
A grande, universal, solente pausa
Antes que tudo em tudo se transforme.

Fernando Pessoa (1931)

Então estava ela ali, com o cigarro entre os dedos, mais para passar o tempo do que pelo prazer do vício, tirando vagarosamente algumas baforadas, observando a fumaça que subia em ondas desconexas, perdendo-se no ar. Olhou para a porta que dava acesso à faculdade e viu a imagem nítida, absurdamente bela do homem que poderia ser seu. Naquele instante toda a realidade se desvaneceu, mergulhou num sentimento totalmente irreal e amou. Amor que jamais sentiu na vida, amor relâmpago, daquele que transpassa barreiras de tempo e espaço. Por um instante, sem intenção nenhuma, os olhos se cruzaram e o negrume dos olhos dele iluminou os olhos dela. Poderia ter sido mais um fato isolado em sua vida, mais um realce em seu cotidiano, mas não, a coisa foi se alastrando, tomando forma, penetrando todas as moléculas do seu corpo e permaneceu. Permaneceu ali, constante, intrigante e avassaladora. Encontros casuais, sem propósitos, palavras roubadas, poucas, sorvidas e arquivadas e ela o desejou, vislumbrou para si o perfil completo do corpo e da alma dele.

O amor dele era extremo, doce, verdadeiro, romântico, sensual. Amor de jovem, como ele e ela. Primeiro amor. Primeiras sensações, corpos entrelaçados, quase puros, se descobrindo, procurando, buscando... Ela era perfeita para ele e tudo estava resumido nessa relação. Bastava o óbvio para o concreto. Não havia nenhuma lacuna entre os dois. Eram completos.

O salão cheio, uísque, vodka, luzes em flashes, a banda imortalizando a comemoração. O efeito de todos os derivados, hormônios dissimulados, esperteza, coragem até terminar no inevitável. Enquanto o teto rodava, o salão gritava e gritava a alegria. O olhar decisivo, passos pequenos, a música vibrando toda a alma, o momento reduzido em milésimos de segundos, o abraço e “Me ame!” A música tão alta, a noite parecia infindável e eles poderiam ter vivido aquele momento para sempre. Nada... nada mais além do resquício do instante. Instante indelével, para ele e para ela. Instante insano e questionável, mas buliçoso, daquele que quer ir além, mas que se reserva por conta da incerteza.
Ele não podia se permitir à sedução. Tudo em sua vida estava no caminho certo. Mas, por quê? Não havia como questionar... Era um fato indiscutível, incoerente e louco!
Noite muito clara, de lua cheia. Lua das provocações, do insondável, do insólito e ele entregou seu corpo a ela. Não havia como recusar a aproximação etérea, acordando-o de mansinho, tocando seu peito, entrelaçando os dedos em seus cabelos, deslizando sutilmente as mãos delicadas em seu corpo nu, descendo devagarzinho, farejando seus desejos, a respiração vacilante escapando dos lábios entreabertos, buscando sua boca para materializar um beijo inefável, ardente. Sem recato permitiu-se ser amado, abraçou a forma de mulher que se oferecia, trêmula de paixão e beijou-a por inteiro. Nada mais pôde conter aquele momento. Deitou-a no lençol úmido com o suor dos seus corpos e consumou com voracidade o amor que ela lhe oferecia, experimentando uma paixão selvagem, sem reservas, uma paixão mistério. Momento eterno.
Ela lutava contra o sentimento que absorvia toda a sua força, mas não havia nada a ser feito. Pensava em desistir, porém era um sentimento muito forte, muito bom e a noite tornou-se sua aliada. Quantas vezes ele passara por ela, tão perto e nem a notara. Ela o acompanhava com o olhar, e esculpindo a fantasia daquela atração, tornava-o seu, só seu. Sabia que à noite ela o teria por inteiro.
Ele tentava entender tudo o que acontecia, no entanto a obsessão foi se tornando derradeira a ponto de cegar sua realidade e tornar sua alma submissa àquela paixão. Seus dias se tornaram autômatos. O trabalho, a noiva, tudo era rotineiro e quase importuno porque, o que realmente desejava, era aquele momento de êxtase que preenchia todo o seu ser de fantasia, ilusão... ah...como era bom!  A noite é que trazia o delírio e ele ansiava pelos afagos dela. Ela o trazia preso. Sua doçura o fascinava e embevecia.  Era muito bom para ser mentira, mas irreal para ser verdade. Estava no limite, porém não queria que acabasse. Tudo, então, se desordenou em sua vida. Não poderia continuar com aquela loucura. Tinha a vida planejada, todos os pontos pré-definidos, programados, como todo homem que pretende um futuro. Tranqüilidade . Então reagiu, buscando a forma de livrar-se daquilo que havia se tornado um vício, um vício que satisfazia sua alma e seu corpo e que, no entanto, lhe roubava a paz porque não era real, não poderia jamais ser real.
Seus dias foram tomados pela expectativa do casamento, tornando-se o objeto efetivo da sua vida. A mulher que preenchia substancialmente seus projetos e era com ela que ele iria consumar seus anseios. Estava decidido a não permitir mais que aquele espectro tomasse posse de seu corpo.
Ela podia sentir a reserva dele. Tantas noites, tantas investidas... Por quê? Ele não permitia mais sua aproximação. Sentia seu corpo chegar tão perto dele, seu perfume, quase tocava seus cabelos, mas ele se esquivava, fazia de seu eu uma fortaleza e não iria mais ser subserviente a ela. Nunca mais...
Fogos de artifícios colorindo o céu azul-índigo de maio ornamentavam o frio que chegara mais cedo, anunciando o inverno impertinente do Sul. Vento sul. Amigos, parentes, gente que nunca tinha visto estava lá. Sentia-se feliz, almejara essa felicidade! Casara com seu grande amor, quem o acompanhou sempre, cúmplice de seus dissabores e apreensões. Um arrepio de frio fez com que se aconchegasse mais a ela, num abraço confidente e suplicante de calor e afago. A seda branca do vestido e a mantilha de pele que a protegia do frio roçaram seu rosto aproximando-o da realidade e, o que queria naquele instante, era estar longe dali, com ela, deixar para trás suas inseguranças e incertezas. Estava feliz, e era o que importava. Olhou para o céu e uma chuva de estrelas douradas cingia aquele momento, o seu momento, o momento dos dois. Nada mais iria interferir no encanto daquele sentimento. Não permitiria, nunca mais. Convidados espalhados pelo jardim aplaudiam os noivos e o colorido dos fogos. Sentiu, então, a presença de uma figura diáfana de mulher entre as folhagens que observava os dois. Seria ela? Ela estaria ali? Seu corpo estremeceu e foi tomado por uma vertigem. Fechou os olhos e apoiou a cabeça nos ombros da noiva. Não queria acreditar que ela estivesse ali. No entanto, sentia o quanto ela ainda o mantinha subjugado. Preso num amor feroz, que o aniquilava e o subvertia totalmente. Iria ao seu encontro, diria que não a queria ali, que não interferisse em sua vida. Era assim o que realmente pretendia? Seria mesmo esse o seu propósito? Ou ansiava ainda tê-la nos braços na noite nervosa, misteriosa? Amor selvagem. Como a desejava! Quando ergueu a cabeça, não pôde mais vê-la, apenas via os fogos, os convidados, a alegria.

Um momento de arrebatamento levou-a a conjeturar aquilo que, para ela, era inevitável. Sabia-se indesejada? Nada mais poderia fazer para tê-lo e se foi.
À medida que a madrugada ia chegando, o frio vinha mais intenso e as nuvens caminhavam devagar cobrindo as estrelas e a lua. Ela dirigia seu carro rumo ao nada, que era o que agora desejava. O nada. Solidão. Seus pensamentos estavam confusos e não sentia vontade de chorar, mas lágrimas duras vertiam incontrolavelmente dos olhos e vincavam seu rosto. Não iria retornar. A neblina, cada vez mais, encobria a estrada e ela avançava naquela cortina tênue. Tentava dispensar o dualismo do bem e do mal e sublimar seu delírio. Fragmentos sinestésicos levavam-na aos momentos das noites de paixão e de repente, a compreensão do que vivera foi tomada por uma infinidade de incertezas imponderáveis. Pouco podia enxergar à sua frente  e as lágrimas que insistiam em fluir ofuscavam ainda mais sua visão.

Onde ela estaria agora? Por que não o esperou? Não, não suportava a idéia de não tê-la mais. Noites vazias. Paradoxo.

À medida que o carro se afastava dele a distância ia se tornando mais autêntica para ela e dilacerava sua serenidade. A estrada concretizava em curvas a sua angústia.

Toda a ventura que almejara estava ali, ao seu alcance. Iria desfrutá-la. Sentiria e daria felicidade. A esposa. Mas ela, ah... Ela viria à noite, traria a ele aquele amor clandestino, fortuito...

As luzes do farol se misturavam com as gotículas da bruma que se tornara mais espessa, depois o colorido vermelho das luzes traseiras do carro foi  esmaecendo lentamente até se perder na imensidade.

 Para onde ela teria ido? Por que não o esperou? Sabia que precisava daquele amor, amor paixão, êxtase. Olhou para longe, onde seus olhos podiam alcançar e nada viu. Ela se fora...
Seus pensamentos estavam confusos...aquela neblina...lágrimas...
Repentinamente sentiu um imenso sossego em sua alma e num rastro de vapor ela viu sua sombra voar. Depois a escuridão. Escuridão.  Depois, o nada.              

HISTÓRIAS

Por que KITSCH? Por que você considera minhas histórias Kitsch? Na verdade, vivemos num mundo Kitsch, onde todos tentam mostrar um retrato bonito de si, fazendo cabelos iguais ao do astro de cinema, da musa da novela, enfeitando a casa com detalhes copiados do passado ou daquele modelo da revista, e assim por diante. Quando olho p minha casa, vejo um monte de tranqueiras que me trazem recordações. São úteis? Não. É uma obra de arte? Também não. Mas o que estão fazendo ali? Estão ali. Só. E assim é, em todas as casas, em todos os lugares. Os Estados Unidos, segundo Umberto Eco, em seu livro VIAGEM NA IRREALIDADE COTIDIANA, é rico em "imitações" e comenta com muita propriedade: ..."a imaginação norte-americana deseja a coisa verdadeira e para atingi-la deve realizar o falso absoluto..." (p. 14). Interessante. Mas, o que tem a ver com minhas histórias? É que elas contam a imitação da nossa história de vida, do nosso desamor, da nossa ilusão, dos nossos sonhos, entende? Aquilo que, de tão intenso, se torna cafona para os outros, brega e tal. É é isso. Pronto.
Olá, meu querido, hj vou comentar um pouco sobre o título do meu Blog, retirado do Wikipédia, é claro, com referências e tudo. Vamos lá:

Kitsch é um termo de origem alemã (verkitschen) que é usado para categorizar objetos de valor estético distorcidos e/ou exagerados, que são considerados inferiores à sua cópia existente. São freqüentemente associados à predileção do gosto mediano e pela pretensão de, fazendo uso de estereótipos e chavões que não são autênticos, tomar para si valores de uma tradição cultural privilegiada.
Umberto Eco : Luwig Giez, em phaenomenologie des kitsches, Rothe Veriag, Heidelberg, 1960, sugere algumas etmologias do termo. Segundo ele remontaria à segunda metade do sec. XIX, quando os turistas americanos em Mônaco, querendo adquirir um quadro, mas a baixo preço. Pediam o "esboço" (sketch). Daí teria vindo o termo alemão para indicar a vulgar pacotilha artística para compradores desejosos de fáceis experiências estéticas. Todavia em dialeto meklem-burguês existia já o verbo kitschen por "recolher o barro da estrada". Uma outra concepção seria "mascarar moveis para parecer antigos", enquanto se tem o verbo verkitschen por "vender a baixo preço"(Apocalitticl, cit., p.68)

Características do Kitsch

  • Princípio de Inadequação: Ao deslocamento, junta-se a inadequação da forma, do estilo, do contexto, da função, de uso. Desvio em relação à finalidade, tamanho (abridores de garrafa gigantes), falsificação de materiais (flores de plástico), estilos contextos (anjos barrocos de gesso, para estantes) figurações em objetos utilitários (pêra de cristal, como baleiro). Funções secundárias que acabam suplantando a função principal, funções múltiplas em um único objeto. A inexistência de uma relação do tema com a estrutura geral da obra.
  • Principio de Acumulação (ou Empilhamento): Objetos diversos sem um sentido, que possuem valor emocional e de baixo custo, que vão sendo acumulados sem uma unidade de adequação.(enfeites de geladeiras, cerâmicas, bibelôs). Além de tornar ambientes kitsch, também pode tornar pessoas em kitsch, quando ocorre o demasiado uso de enfeites ou adornos corporais. (brincos, colares, pulseiras, echarpes, etc).
  • Percepção Sinestésica: O maior uso dos sentidos para impressionar o espectador, imagem, som, aromas (cartões de namorados perfumados). Repetição exaustiva de mesmos signos com significados semelhantes.
  • Principio de Mediocridade: com tantos artifícios, inadequação, acumulação, percepção sinestésica, o kitsch chega próximo do vulgar, mas essa mediocridade facilita a absorção do consumidor. Nem feiúra nem beleza extremas: esses são valores absolutos, que fogem do intuito do kistch.
  • Principio de Conforto: o que não cria problemas agrada; enche a vida da sociedade de consumo de sensações, emoções e pequenos prazeres (objetos cotidianos).
O kitsch está em todas classes sociais; é um elemento de nivelação social e histórico consumido indiscriminadamente por todos. Independente das diferentes possibilidades de status que o objeto kitsch possa suscitar, agrupa-se o amburestem em categorias: religioso (terços saturados de imagens), sexual (canetas com mulheres nuas), exótico (paisagens havaianas, indianas de fundo), doce (anões de jardim), amargo (cobras, esqueletos de plástico fluorescentes), político (insígnia de partidos políticos em chaveiros) e também as combinações entre estas.
O kitsch se propõe a valores sublimes. A literatura de mau gosto feita com intenções comerciais e que usam o "efeitismo" - o efeito, a crunk sentidos pelo leitor são esperados e iguais. Músicas, novelas e até a arquitetura: um edifício ou uma casa no estilo neoclássico, típico do século XIX, com falsa colunas gregas de concreto e falsos frontões é Kitsch porque deslocado no tempo, feito de materiais contemporâneos e inadequado ao uso. Uma construção neoclássica não responde às necessidades de vida do século XXI, precisando, para isso, ser adaptada, deformada, tornando-se, assim, simplesmente um cenário.
Essas características conjugadas do Kitsch agem sobre nosso sentido nos causando um "curto-circuito" da crunk.

 Bibliografia:

       http://pt.wikipedia.org/wiki/Kitsch, in:

Aranha,Maria Lúcia de Arruda e Marins, Maria Helena Pires. Temas de Filosofia. Ed. Moderna.
Eco, Umberto. "Apocalíptico e Integrados". Ed. Perspectiva
Moles, Abraham. O Kitsch. Ed. Perspectiva
Kundera, Milan. A insustentável leveza do ser. São Paulo: Ed. Companhia Das Letras, 1999.
Sontag, Susan. Notes on ‘Camp,’

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Histórias Kitsches

Olá, primeiro vamos aprender a postar nesse Blog, escolher o design, as letras, e etc...Com o tempo iremos aperfeiçoando.